“Desde criança tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram”, revela Fernando Pessoa em carta que escreveu a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935. Alguns desses seus amigos vieram a ser notáveis poetas, e a sua existência é tão concreta como a de um veleiro a atravessar qualquer um dos grandes oceanos conhecidos, ou outro ainda maior, como os que existiam no pensamento e na alma de Pessoa.
“Álvaro de Campos, nasceu em Tavira, no dia 15 de Outubro de 1890 . . . é engenheiro naval (por Glasgow), mas agora está aqui em Lisboa em inatividade . . . é alto (1,75 m de altura, mais 2 cm do que eu), magro e um
pouco tendente a curvar-se . . . tipo vagamente de judeu português, cabelo, porém, liso e normalmente apartado ao lado, monóculo.”
É em Álvaro de Campos que Fernando Pessoa verte o seu génio quando “sinto um súbito impulso para escrever e não sei o quê.” É através dele, que ama “a civilização moderna”, que beija “com a alma as máquinas”, que os estímulos que encontra nas essências e na turbulência do mundo marítimo e da vida que nele acontece se transformam em sensações profundas em que se fundem “os longes, as épocas marítimas todas sentidas no passado” com “as operações comerciais necessárias a um embarque de mercadorias” actual. E é na Ode Marítima que se atinge um dos pontos mais altos e originais da literatura Portuguesa através duma longa viagem, colossal, às profundezas do eu-vivente, do eu-visionário, do eu-criador, do eu-somente . . . do eu-tudo de Pessoa.
Na primavera de 1915, no segundo e último número da Orpheu (uma das mais marcantes e efémeras revistas literárias portuguesas) é publicada pela primeira vez a Ode Marítima. “Ah, seja como for, seja para onde for, partir!” Tinha Álvaro de Campos 24 anos.
Coleção: Descobrir os Clássicos
Autor: Álvaro de Campos
Idioma: Português
Medidas: 120×182 mm (capa mole)
Páginas: 140
Editora: TEGNER-publishing, Lda
Chancela: CARRACK books
Primeira edição: Abril 2025



